Previu o Fim dos Empregos. Depois, Mudou de Ideia.
Publicado em 29 de julho de 2026 · 3,6 min de leitura
RESUMO RÁPIDO
Em maio de 2025, o CEO da Anthropic previu que a IA poderia acabar com metade dos empregos de nível de entrada e levar o desemprego a até 20%.
Um estudo do Google com 15 milhões de interações reais mostrou algo bem mais tranquilo: a IA aparece em 68% das profissões, mas é usada em só 21% das tarefas dentro de cada trabalho.
Um ano depois da previsão, o mesmo CEO mudou de tom e citou uma teoria econômica de 200 anos pra defender que a IA pode até criar mais empregos, não menos.
Uma coisa que vale saber.
A Previsão Que Assustou o Mercado
Em maio de 2025, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, deu uma entrevista que viralizou.
Ele disse que a IA poderia acabar com metade dos empregos de nível de entrada em áreas administrativas dentro de um a cinco anos.
Segundo ele, isso poderia levar o desemprego nos Estados Unidos a algo entre 10% e 20%.
As áreas mais ameaçadas, na visão dele, seriam finanças, consultoria, direito e tecnologia.
Amodei disse que empresas de IA e governos precisavam parar de suavizar o que estava por vir.
Foi um alerta direto, vindo de dentro de uma das maiores empresas de IA do mundo. Não de um crítico de fora.
O Maior Estudo Sobre Uso Real de IA Já Feito
Um ano depois, o Google publicou um estudo chamado ATLAS, analisando 15 milhões de interações reais entre pessoas e IA.
Os dados vêm do Gemini e de outras ferramentas do Google, usadas por mais de 1 bilhão de pessoas por mês, em mais de 150 países e 140 idiomas.
O estudo olhou pra 800 profissões diferentes e 4 mil tarefas de trabalho.
O resultado foi bem menos dramático do que a previsão de Amodei.
A IA já aparece em 68% das profissões, o que cobre 90% dos empregos nos Estados Unidos. Só que, dentro de cada trabalho, ela é usada em apenas 21% das tarefas.
Menos de 10% das interações de trabalho substituem uma tarefa por completo. A maioria é colaboração. Pedir ideia, revisar texto, criar uma estratégia com a ajuda da IA.
Até gente que trabalha com as mãos na massa, como mecânico de carro, já usa IA pra diagnosticar problema, quase o dobro da média.
Não é substituição em massa. É gente usando IA como ferramenta de apoio, no meio do próprio trabalho.
O Próprio Amodei Mudou de Ideia
Em maio de 2026, o mesmo Amodei apareceu num evento ao lado de Jamie Dimon, CEO do JPMorgan.
Dessa vez, o tom era outro.
Amodei citou o paradoxo de Jevons, uma ideia de um economista do século 19. Quando uma tecnologia fica mais eficiente, o consumo daquilo costuma subir, não cair.
O exemplo clássico é o carvão. As máquinas a vapor ficaram mais eficientes, usando menos carvão por trabalho feito. Só que isso barateou tanto o processo que o consumo total de carvão aumentou.
Aplicando isso à IA, o raciocínio é este. Se um advogado fica dez vezes mais produtivo, o serviço jurídico fica mais barato, mais gente contrata, e pode até sobrar mais emprego no fim das contas, não menos.
Dimon reforçou a ideia, lembrando que o capitalismo sempre recriou emprego depois de grandes mudanças, como na agricultura, na eletricidade e na internet.
Mas o próprio Amodei fez uma ressalva importante. A IA está avançando mais rápido do que qualquer uma dessas tecnologias anteriores.
O exemplo que ele usou foi o caixa eletrônico. Mesmo com um efeito parecido ao de Jevons no setor bancário, o número de caixas de banco ainda caiu bastante ao longo de duas décadas.
Se a IA se espalha rápido demais, pode não sobrar tempo pra esse reequilíbrio acontecer direito.
O Problema Que Ninguém Resolveu Ainda
Mesmo se o total de empregos no país continuar estável, isso não ajuda quem perde o emprego específico dele agora.
Os dois, Amodei e Dimon, reconheceram esse ponto na conversa. Chamaram isso de problema de distribuição.
Crescimento de emprego no total é uma coisa. Uma pessoa de 45 anos que perdeu o emprego de analista financeiro é outra completamente diferente.
As soluções discutidas incluíam programas de auxílio salarial e requalificação profissional paga pelo governo.
Dimon foi honesto sobre isso. Ele citou o programa de assistência criado depois do acordo comercial do NAFTA, que deveria ajudar trabalhadores deslocados, e disse abertamente que não funcionou direito na prática.
O Que Fazer Com Essa Contradição Toda
O mesmo homem que previu um colapso no emprego, um ano depois, defendeu que a IA pode até criar mais vagas.
Isso não significa que ele estava mentindo em nenhum dos dois momentos.
Significa que prever o efeito de uma tecnologia que muda rápido assim é genuinamente difícil, mesmo pra quem está construindo ela.
Da próxima vez que você ler uma manchete afirmando com certeza o que a IA vai fazer com os empregos, vale lembrar dessa história.
Não pra ignorar o alerta, nem pra descartar o otimismo. Só pra guardar os dois com um pé atrás.
O que vale mais a pena observar essa semana não é a previsão geral. É o que está mudando, de verdade, na sua própria função.
Marcos Lima - Automação Sem Fronteiras
Simplificando o futuro com IA, criatividade e propósito